sábado, 20 de julho de 2013

BLINDAGEM CHEGA À CLASSE MÉDIA. MAS VALE A PENA?

Blindagem chega à classe média. Mas vale a pena?

Para tentar se proteger da violência urbana, um número cada vez maior de brasileiros opta por blindar seus veículos


Você já pensou em ter um carro blindado? Ano após ano, uma maior parcela dos brasileiros passa a considerar esta possibilidade. A falta de segurança nas grandes cidades somada aos crescentes índices de violência faz com que os mais favorecidos financeiramente invistam umdinheiro alto para blindarem seus veículos e circular pelos centros urbanos com mais segurança, ou pelo menos, com a sensação de estarem mais protegidos. A novidade é que agora a blindagem passou a ficar mais acessível e até modelos novos estão sendo vendidos já blindados. 


O Brasil possui uma frota de cerca de 120 mil veículos blindados. Para termos uma ideia, no ano de 2003 o número de carros com proteção balística no País era de 22 mil veículos, o que representa um crescimento estrondoso de 445% em dez anos. 
Raul Boesel, DJ e ex-piloto de Fórmula 1

"Aconselho o carro blindado 100%"

O ex-piloto de Fórmula 1 Raul Boesel descobriu da pior forma a utilidade da blindagem. Seu irmão mais novo foi assassinado num assalto em 2001 e viu sua família sofrer várias tentativas de assalto. Desde que voltou ao Brasil, ele não dispensa a blindagem em seus carros.

Desde quando você utiliza a blindagem em seus veículos e por que resolveu adotar a proteção?

Voltei para o Brasil em 2002 e desde então uso carro blindado. A razão é muito triste, meu irmão caçula foi assassinado em um assalto aqui em São Paulo no dia 26 de janeiro de 2001, uma segunda-feira de Carnaval às duas horas da tarde. Além disso, minha esposa Deborah por duas vezes passou por tentativas de assalto e meu filho Enrico também. O problema é grave.

Você consideraria utilizar a nova blindagem "popular" da DuPont? Se não, por quê?

Acho que todos que tenham condições de se proteger não podem se poupar, não vejo a situação melhorar, bem pelo contrário, por isso aconselho o carro blindado 100%.

Quais hábitos você passou a adotar após utilizar os blindados?

Sempre estar atento onde estacionar, entrar rápido no carro e imediatamente trancar as portas antes de ligar o carro, sempre estar atento aos retrovisores e deixar algum espaço entre o carro da frente quando parado em semáforos.

Você se sente inseguro ao andar no carro de alguém que não possua a proteção balística ou nem pensa nisso?

Nas cidades perigosas sim, como Rio e São Paulo. Nesses locais, as chances de um assalto ou uma tragédia são maiores. Infelizmente a segurança no Brasil inteiro está muito precária, a impunidade fez os marginais perderem o valor de uma vida.

Mesmo com o costume de blindar os veículos, você não dispensa o uso da motocicleta. Não tem medo?

O trânsito em São Paulo virou um caos, ainda mais com o governo incentivando a venda de carros sem nenhum plano de infraestrutura. Sei que estou sendo 8 ou 80, mas a motocicleta passou a ser uma necessidade para locomoção. É meio contraditório ficar entre o carro blindado e motocicleta e confesso que ando de moto com certo medo, onde você fica mais exposto e vulnerável. É nossa realidade. Sinto prazer em viajar de moto, mas na cidade é sempre muita tensão.

Hoje, o mercado brasileiro de blindagens civis é o maior do mundo, tipo de recorde do qual não podemos nos orgulhar. Em média, uma pessoa gasta cerca de R$ 47.300 para blindar seu veículo, o que não deixa de ser um valor significativo mesmo em veículos que custam mais de R$ 200 mil.

Mesmo assim, trata-se de um mercado promissor e, de acordo com a Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), apresenta um crescimento de 5% ao ano. Para abocanhar uma parcela deste nicho, empresas como a DuPont, estão investindo em um sistema de blindagem “popular”, mais acessível – que chega a custar até 50% menos que a blindagem tradicional.

A sacada da marca foi desenvolver kits pré-moldados para 20 modelos de automóveis, com preços que variam de R$ 18.950,00 a R$ 33.000,00. Para se blindar um Chevrolet Agile vendido por cerca de R$ 40 mil, por exemplo, o cliente desembolsaria metade do valor pago pelo veículo, R$ 21.950. Batizada de Armura, a blindagem “popular” é mais leve, adiciona cerca de 90 quilos ao veículo enquanto a proteção mais comum pode adicionar até 170 quilos extras. Para conquistar clientes, a marca ainda afirma que seu produto não provoca alterações significativas no desempenho e consumo de combustível e, além disso, a instalação é feita em apenas 15 dias úteis.

No entanto, embora o produto seja certificado pelo Ministério da Defesa, ele se enquadra no nível I da norma NBR 15000 da ABNT que oferece proteção contra tiros de armas calibre 38 e abaixo. Segundo Rodrigo Fukuoka, chefe dos investigadores da Divisão Especial de Atendimento ao Turista - DEATUR - , os calibres mais utilizados pela bandidagem são os das armas que tem venda autorizada no País ( como .38, .32, 380). "Geralmente são armas que os bandidos roubam de vigilantes e seguranças particulares de estabelecimentos comerciais. No entanto, de dez anos para cá calibres restritos começaram a ser vistos em assaltos comuns, o que é reflexo do contrabando de armas que vem do Paraguai, país que faz fronteira com o Brasil", explica. 

Embora o produto da DuPont tenha contribuído para uma popularização do serviço, a blindagem mais praticada no mercado ainda é a de nível III-A, que suporta até tiros de submetralhadoras (pistolas) 9mm e revólveres .44 Magnum. Fukuoka acredita que a classe média não irá poupar esforços para instalar a proteção balística mais em conta, o que não deixa de ser uma vantagem, pois, segundo ele, é melhor estar 10% mais protegido do que nada.

Outro cuidado para quem pensa em blindar o veículo é procurar empresas sérias que que saibam fazer a instalação adequada do produto. "Não adianta a blindadora vender o material adequado se não possui a capacidade técnica para instalá-lo”, conclui.

Segundo levantamento conduzido pela Abrablin, 8.384 veículos foram blindados em 2012, número que deve crescer em 2013. No ranking dos estados que mais blindam veículos, segundo a pesquisa da entidade, São Paulo é o primeiro, com 72%, seguido pelo Rio de Janeiro, com 8%. Os outros três estados que mais investem neste tipo de proteção ficam no Nordeste: Pernambuco (6%), Ceará e Bahia (2% cada).

Quem blinda mais?

De acordo com a DuPont, os homens ainda lideram a decisão de compra, representando 76% das vendas do Armura. No entanto, as mulheres lideram o percentual de usuárias, 51% segundo dados da companhia. “A compra é realizada pelos homens preocupados com a segurança de suas esposas e filhos. No entanto, este cenário vem mudando nos últimos anos e a mulher já representa uma parcela importante”, destaca Carlos Benatto, gerente do DuPont Armura.

Você sabe usar?

Para valer o que se paga, os adeptos dos sistemas de blindagem devem adotar novas atitudes no dia a dia. Manter os vidros sempre fechados e redobrar a atenção ao desembarcar do veículo são alguns exemplos. Confira outros cuidados que são necessários para conservar e até prolongar a vida útil da blindagem:

Ao entrar ou sair do veículo, não deixe as portas abertas por mais que o necessário. O excesso de peso pode desalinhá-las.
Nunca feche a porta com a janela aberta, o vidro pode trincar.
Ventosas de aparelhos GPS danificam o policarbonato da parte interna do vidro, o que pode comprometer a eficácia da proteção.
Fique atento a variações bruscas de temperatura, pois a oscilação pode provocar trincas na blindagem.

Proteja seu veículo do sol, o calor intenso pode provocar a delaminação dos vidros.
Nunca ande com o vidro aberto em estrada de terra. A trepidação pode rachá-lo.
Fuja da travessia de ruas alagadas. Se o carro ficar preso na água, a manta balística pode ser afetada pela umidade, o que reduz seu poder de proteção.
Para limpar a parte interna dos vidros, use apenas uma flanela, água e sabão neutro. A película interna pode riscar ou se soltar com produtos abrasivos ou solventes. Também tome cuidado com anéis ou crianças com brinquedos.

O fato é que a violência é uma realidade no Brasil, estamos expostos a ela e devemos encontrar meios para minimizar seus efeitos em nossas vidas. Constatamos que não há meios de estarmos 100% seguros, infelizmente. Portanto, se tivermos condições de nos proteger, por quê não o fazer?

FONTE IG CARROS

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